João Valente – Etapa 1, GRVC

A Grande Rota do Vale do Côa (GRVC) é um trilho linear, que acompanha o percurso do rio Côa, desde a sua nascente em Fóios, Sabugal à foz com o Rio Douro em Vila Nova de Foz Côa. Esta grande rota atravessa um vale de patrimónios com muito para descobrir.

Confesso que estava ansioso por começar aquilo que seria a Grande Rota do Vale do Côa! Muito por descobrir, natureza no seu estado mais puro… um vale cheio de história e onde eu próprio iria fazer a minha história. A minha GRVC…

Como “acto simbólico” estipulei a recolha de uma porção de água, mesmo na nascente do Rio Côa na Serra de Mesas, onde uma grande laje de pedra anuncia a génese do rio – “Foios – Nascente do Côa”. Aqui nasce o rio que nos inspira!

Esta pequena porção de água iria acompanhar-me durante as 11 etapas e os cerca de 230Km’s da GRVC até ser lançada na foz do Rio Côa, onde o Rio Côa desagua nas águas do Douro!

A 1165 metros de altitude, rodeados de um maciço granítico em plena Serra de Mesas surgem os primeiros km’s da GRVC onde o trilho desce a serra, por entre blocos de granito e áreas extensas de mato, bosques e pastagens até à localidade de Fóios (concelho Sabugal).

Aqui, estamos em “Terras de Forcão”! É assim que somos brindados na localidade… com um monumento (digno) a esta manifestação cultural, dita como a mais identitária do concelho. Fóios mantém a prática ativa da “capeia” (corrida de touros originária das terras de Ribacôa) onde a lide com o Forcão, caracteriza-a como uma tourada única no Mundo e por isso registada no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Uma simbiose de cultura e história!

A partir de Fóios, a GRVC segue a margem esquerda do rio Côa, ladeado por bosques, lameiros e pastagens. A paisagem perde-se de vista e em cada recanto surge algo que nos brinda e nos dá vontade de prosseguir! Os km’s fluem ao som da natureza e a progressão está ao alcance de todos!

Depois da subida ligeira à Cruz Alta, segue-se em pendente descendente até Vale de Espinho, com passagem em vários moinhos de água. O local aprazível junto ao Moinho do Engenho foi local eleito para repouso e algum abastecimento sólido ao som da água corrente. Soberbo!

A primeira etapa caminha a paços largos para o seu términus. O trilho entre Vale de Espinho e Quadrazais faz-se pela margem direita do rio Côa até ao Moinho do Rato, onde atravessamos o rio pelo Pontão das Poldras. Uma construção secular de pedras graníticas polidas pela força da água ao longo de centenas de anos que permitem a passagem pedestre entre as margens do rio.

Prosseguindo junto de campos agrícolas de subsistência, a localidade de Quadrazais aproximou-se, sendo necessário fazer um pequeno desvio à rota (cerca de 1,2km’s) para conclusão da etapa 1 da GRVC, no coração desta aldeia. Foram quase 5 horas de caminho, de descoberta e contemplação do natural, genuíno e histórico que esta região nos ofereceu.