João Valente – Etapa 2, GRVC

A aldeia de Quadrazais, “terra” de gíria muito própria e onde o contrabando foi modo de sobrevivência durante largos anos, foi a localidade em que partimos rumo à segunda etapa desta grande rota. E que etapa!

Percorridos os 1200 metros que nos levavam de novo ao trilho da GRVC, caminhamos em pendente sobretudo ascendente cerca de 6-7km’s até ao Alto da Machoca (1078m de altitude) inserido no coração da Reserva Natural da Serra da Malcata! É, na verdade, uma subida exigente, em que o sacrífico é soberbamente recompensado pela paisagem que os nossos olhos podem contemplar! Do posto de vigia ali presente avistamos o Côa, a Barragem do Sabugal e a cidade que lhe dá nome! É tempo de repousar e respirar… é tempo de fotografia! Cada fotografia tenta transmitir um olhar mais atento, um sentimento, uma emoção… uma ligação ao território que nos brinda e nos acolhe. Assim é esta Grande Rota do Vale do Côa!

Do ponto mais alto da Machoca, a progressão é “sempre” em descida até à pacata aldeia da Malcata…. que nos dá a conhecer a peculiar Casa do Sal, a “altaneira” Torre sineira, e o Forno Comunitário, local onde muitos fomentavam o encontro, partilha e cooperação na cozedura do pão e não raras vezes o conforto da alma e corpo para os mais necessitados do povo! Outros tempos…

Com passagem pelo Parque de Merendas, Capela de São Domingos e por trilhos muito próximos da Barragem do Sabugal, circundamos o paredão da mesma com visita breve ao Santuário Nossa Senhora da Graça.

A chegada à sede de município, Sabugal, culmino desta etapa é feita pela margem direita do rio Côa pelo trilho de pé posto que acede à Praia Fluvial da Devesa. Trilho com alguma vegetação alta que obriga a alguma (muita!) destreza e até aventura!

Já na cidade do Sabugal e com as águas cristalinas do Côa na praia fluvial… avistam-se as torres do Castelo do Sabugal, também conhecido pelo Castelo das Cinco Quinas devido ao formato incomum de sua torre de menagem. Aqui respira(m)-se história(s), cultura, tradição!

Terminámos a etapa junto da fortificação, paredes meias com os Palheiros do Castelo no Largo de Alcanizes, turismo rural de eleição e bom gosto, que nos deu guarda e recuperação noite dentro.

Na etapa 2 da GRVC, ultrapassamos as 5 horas de caminho… mas com tempo de contemplação e descoberta das boas “coisas” que este território nos brinda! Continuámos a nossa escrita… na Grande Rota do Vale do Coa… continuámos a escrever no nosso caderno das emoções! Porque a natureza nos brinda, porque os nossos antepassados nos deixam legado e herança… de tradições e testemunhos! Nós só temos de aproveitar… vivendo!

João Valente